Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Sucata VIII - Sistema Operacional

Depois de um passeio um pouco maior do que eu tinha planejado sobre questões de hardware, vou tratar da escolha do sistema operacional:

Há diversos fatores a considerar na hora de escolher o SO. Normalmente os fatores a ser considerados giram em torno de dois grupos: (1) potência da máquina e (2) finalidade de uso da máquina (e as variáveis decorrentes). Falar da escolha de um sistema, sobretudo neste contexto, considerando computadores antigos das mais variadas configurações, é sempre complexo. Em função disso, vou traçar comentários sobre diversos sistemas operacionais que pude ao longo da minha história com computadores, para daí tirar algumas conclusões sobre fatores a considerar na escolha de um sistema. Não tenho nenhuma pretensão à imparcialidade, tenho uma posição e um sistema preferido, nem sempre por critérios objetivos que possa expressar; por conta disso, procuro expressar minha parcialidade ao máximo para não tentar iludir ou enganar o leitor.

Minha experiência com Windows (como usuário) foi: 3.11, 95, 98, 98SE, 2000, XP; e com Linux: Conectiva 8 e 10, Kurumin 5 e 6, Kalango 3, Ubuntu 5.04 até 7.04, Debian 3.1 e 4.0, Damn Small Linux 3.3 e 3.4, Slackware 10.2 e Mepis antiX 6.5. Dentre esses sistemas, escolhi alguns para aplicar alguns comentários.


QUANTO AO WINDOWS

Windows 98 e 98SE:
Essa é a opção mais comum de quem está reaproveitando um computador antigo. O principal fator que leva ao seu uso é o fato de ser muito leve em comparação às demais versões do Windows e um tanto mais completa que versões mais antigas (como a 95), com um suporte e gerenciamento de hardware razoável. De fato a Microsoft deu um grande passo no suporte e uso de um PC como computador pessoal quando lançou o Windows 98. Entretanto, se a leveza é a grande vantagem, é também seu grande defeito. O Win98 é leve porque não possui suporte a sistemas de arquivos modernos e seguros, apenas ao famigerado FAT, também é um desastre no que se refere a trabalho em rede e segurança, tanto no que se refere a questões estruturais internas, como no seu uso com múltiplos usuários (todos os usuários tem acesso a praticamente tudo). Além disso, ainda há um fator importante a ser considerado, a Microsoft não oferece mais suporte ao Win98, tanto no que se refere a correção de bugs, quanto ao funcionamento de programas diversos (a exemplo disso as últimas versões do MSN Messeger não rodam no Win98). Esse SO ainda pode ser considerado na hora de escolher um sistema operacional, se a máquina for para uso doméstico simples (com uma rede simples e poucos usuários), mas sem dúvidas o usuário terá de conviver com problemas cada vez maiores, principalmente pela deficiência de suporte de software e hardware (como pendrives e outros dispositivos USB).

Windows 2000:
Não recomendo. O Windows 2000 foi uma espécie de marco da Microsoft, Conjuntamente com o Win98, que era voltado ao usuário doméstico, era desenvolvida outra versão, o Windows NT (foi até a versão 4), que era voltado ao usuário desktop corporativo. O desenvolvimento dos dois sistemas parecia quase independente; enquanto, por exemplo, o WinNT possuia o sistema de arquivos NTFS e não suportava o FAT32 (padrão do 98), o Win98 era o inverso; era humanamente impossível colocar os dois sistemas trabalhando juntos (em rede). O Win2000 surgiu como uma espécie de união entre o Win98 e o WinNT, tentava agregar as vantagens de ambos. O grande problema do Win2000 é ser muito mais pesado do que o Win98 e algumas deficiências no gerenciamento de usuários e de rede (principalmente de impressoras), caso comparado com sistemas mais modernos. São poucosos casos em que é vantajoso usar o Win2000, é preferível variar entre o 98 e o XP (quando se está tratando apenas de Windows).

Windows XP:
Caso o computador em questão tenha uma configuração um pouco mais robusta (com 128MB ou mais de RAM e um processador de cerca de 750MHz) já parece uma solução mais versátil, servindo tanto para usuários corporativos como domésticos. Contanto que seja bem configurado, terá desempenho melhor do que o Win98 em todos os casos. Além do desempenho tem a vantagem de ainda possuir suporte da Microsoft e dos desenvolvedores de programas e hardware; deve durar alguns anos ainda como "o substituto do 98".

Adendo: Há uma versão do Microsoft Windows chamado "Fundamentals for Legacy PCs", baseado no Windows XP SP2, optimizada para computadores antigos. Não posso comentar sobre ela pois apenas sei que ela existe, nunca tive a oportunidade de testá-la. Fica um link:
Microsoft Windows Fundamentals for Legacy PCs


QUANTO AO GNU/LINUX

Conectiva:
Essa foi uma das distros mais respeitadas do mundo. Foi uma variante brasileira do Red Hat (distro americana). A grande vantagem da distribuição era a constante inovação que trazia para as distros Red Hat-like, como o desenvolvimento do Synaptic e a adaptação do APT (originalmente front-end do DPKG, o gerenciador de pacotes do Debian - .deb) para gerenciamento de pacotes RPM (sistema de pacotes da Red Hat). Outra grande vantagem da Conectiva era o fato de grande parte dos arquivos de configuração e programas do sistema serem traduzidos para o português. Além de possuir uma instalação básica simples, haviam também diversas outras opções de instalação avançadas, o que permite uma melhor customização do sistema. A grande desvantagem do sistema é ela ter sido descontinuada. Na verdade a Conectiva foi comprada pela Madrakesoft, fundindo as distribuições surgiu a Mandriva; digo que foi descontinuada pois com o lançamento da Mandriva, as versões antigas da Conectiva foram abandonadas e o foco da distro mudou bastante. Como não tenho mais informações sobre a Madriva, não comento sobre ela.

Ubuntu e Kurumin:
Trato destas duas distros em conjunto pois acredito que pontuam e pecam nos mesmos aspectos. O foco de ambas é o "usuário final"; o que abre espaço para pensar-se: "grande coisa, o Windows também é". Nesta hora vale a pena recorrer ao slogan do Ubuntu ("Linux para seres humanos"), ou seja, imagine um sistema operacional para "qualquer um", sem as desvantagens do Windows. O interesse do Ubuntu e do Kurumin não parecem ser propriamente competir com o Windows, mas a comparação foi inevitável. Parece ótimo, um sistema completo que pode ser usado tanto por usuários avançados, quanto por usuários novatos. Mas, as coisas não são tão simples assim (vide, por exemplo, esse outro artigo que escrevi: link). A pergunta nesse caso é: quem é o usuário final? Você é o usuário final? Se você é dono de um computador antigo, dificilmente você está nesse grupo. Como eu disse antes, o segredo de apreveitar um computador antigo é aprender a abrir mão de certas coisas e conhecer as alternativas. Ambos, Kurumin e Ubuntu, vem configurados by default, com uma série de aplicações que exigem muito de um computador antigo (como o KDE e o Gnome), além de uma série de serviços que ocupam memória e processamento, mas que nem sempre serão usadas; justamente para agilizar o trabalho do usuário final, que não precisa instalar os pacotes referentes caso queira utilizar o serviço, mas em nosso caso, é sempre um problema ter muitos serviços habilitados por padrão, ocupadando recursos da máquina, se não há certeza do uso. Uma das grandes chateações desses SO é o processo de instalação. Para instalar os sistemas é preciso bootar o live-cd e através da interface gráfica executar o instalador; o live-cd sobrecarrega a capacidade do PC e torna a instalação demorada e honerosa, mesmo em computadores medianos (que depois da instalação concluída rodam o sistema com bom desempenho).

Damn Small Linux 3.3 e 3.4:
Sempre que alguém pergunta por uma distro para computadores antigos em algum fórum, a DSL é indicado enfaticamente por outros membros. De fato, essa distro é muito famosa. Experimentei ela em diversos momentos de minha trajetória pelo Linux, mas nunca me senti muito à vontade para usá-la permanentemente. O grande "toque" da DSL é o seu bom desempenho como live-cd, mesmos em computadores antigos; uma falha constante em distros live-cd, quando se roda diretamente do CD é quase impossível usar o sistema, caso o computador não esteja munido com pelo menos 256 MB de memória. Como uma distro de emergência, a DSL se mostra muito útil, possui muitas opções de boot, o que torna possível driblar incompatibilidades. Mas, daí para usar como o sistema operacional padrão, de uso diário, é outra história. O segredo do desempenho da DSL é o fato de ser baseado em uma versão antiga do Debian, a 3.0 (Woody, de 2002) - no "Universo Linux" isso é usar uma distro muito antiga. Além possuir menus confusos é de sua configuração difícil e problemática.

Debian 4.0:
Foi o sistema que escolhi para rodar em um Pentium MMX 233 MHz com 64 MB de memória. Muitos tem medo de usar uma distribuição raíz, como o Debian, pois elas seriam mais ortodoxas e, portanto, mais difíceis; isso é verdade, mas essa "dificuldade" não é tão grande assim. Costumam dizer que a instalação do Debian é difícil. Talvez até seja verdade, mas qualquer usuário acostumado com particionamento de disco e que já tenha instalado um sistema como o Ubuntu, não terá nenhuma dificuldade grande. Escolhi o Debian por vários motivos, dentre eles: (1) Estabilidade: não raro computadores antigos são instáveis no hardware (principalmente por conta de maus-contatos), um sistema instável poderia ampliar o problema. (2) Sistema de gerenciamento de pacotes completo: o APT é uma ferramenta muito boa, tanto para instalar softwares, como para buscar programas que possam servir como alternativa, pois possui repositórios ótimos, com uma quantidade imensa de pacotes. (3) Pacotes atuais: com o lançamento da versão 4.0, a distro trouxe para a versão estável pacotes atuais. Como eu já afirmei no inicio desta série, a atualidade do software é um requisito essencial para um bom uso do sistema. (4) Instalação mínima leve: tudo o que eu falei até aqui sobre o Debian serviria também para outras distros debian-like, como o Ubuntu, entretanto, o Debian possui um diferencial importante, o fato de ser instalado naturalmente mais leve que suas variantes habituais, poupando trabalho na hora de "limpar" o sistema. (5) Diversas opções de instalação: o Debian pode ser instalado tanto em modo texto, quanto com interface gráfica, além de possuir várias opções de instalação. (6) Grande facilidade de encontrar suporte: há um número muito grande de usuários do Debian e suas variantes, portanto, há uma quantidade enorme de material disponível na internet. A grande desvantagem do Debian é não possuir uma instalação "Para computadores antigos", ou seja, não é recomendado efetuar a instalação "Desktop", pois ficará muito pesada. O ideal é efetuar a instalação "Mínima" e instalar e configurar o sistema manualmente, o que não é difícil para usuários acostumados com o APT e com o Debian, mas é quase impossível para um usuário novo na distro ou no Linux.

CONCLUINDO
As minhas esperiências com "distribuições leves" do Linux foi um pouco decepcionante. Ao que me parece, as configurações de uma "distribuição leve" não vai muito além da troca do gerenciador de janelas e a remoção de alguns programas pré-instalados. Há, ao meu ver, apenas duas vantagens de usá-las: (1) o fato da maioria ser live-cd, rodando bem em computadores medianos ou de boa potência (ajuda em casos de emergência); (2) o fato de serem instaladas por padrão em baixas configurações. É uma falha grave de grandes distros: não disponibilizarem opções de instalações leves, além das instalações padrão; assim, para tirar melhor proveito de PCs arcaicos com distros-raíz é sempre necessário efetuar as configurações manualmente, o que deixa o processo mais lento, além de exigir maior conhecimento. Depois de uma série de testes, conclui que, para aproveitar um computador antigo com Linux (usando ele como Desktop), vale a pena escolher alguma distro-raíz (como o Debian ou o Slackware) e a configurar manualmente depois de uma instalação mínima; caso não haja conhecimento para tal, basta procurar alguém que possa ajudar.

Pensando também no sistema da Micrososft: há entre Linux e Windows diferenças fundamentais. No que se refere ao uso em computadores antigos, o Win98 apresenta algumas vantagens interessantes. Como o processo de instalação do Windows está baseado em grandes "pacotes" de instalação, contendo todas, ou quase todas, as bibliotecas necessárias para o funcionamento do software, usar uma versão ultrapassada do Windows com programas finais (como o navegador web, suíte office, etc) é bastante fácil, além de possibilitar uma instalação e configuração rápida do sistema. Por outro lado, como os softwares no Linux são instalados através de diversos pequenos pacotes, além da infinidade de alternativas disponíveis (de graça), torna-se possível usar um sistema totalmente atualizado com computadores antigos. Se por um lado, adotar uma versão desatual do Windows parece simples, usar Linux exige maior conhecimento e dedicação inicial, mas apresenta um resultado muito melhor, principalmente por conta da segurança (já que é um sistema mais atual) e do gerenciamento de hardware.

14 comentários:

Anônimo disse...

tenta http://www.vectorlinux.com
ou http://www.archlinux.org/

hardware disse...

Caro Amigo, tenho o mesmo problema e sempre a mesma duvida. Arrumo computadores de amigos e conhecidos (sem custo) e em sua maioria são K6-2 entre 300-500MHZ ou Pentium de 233 a 500MHZ. Diante dos varios problemas com o Windows 98, que apesar de achar ser a melhor opção, são necessários somente 3 meses para que as famigeradas telas azuis apareçam e tenha que reinstalar tudo de novo, durante um tempo passei a instalar o Windows 2000 nestas maquinas e realmente o desempenho foi comprometido, porem não tive mais problemas de telas azuis. Sobre a adocao de Linux, também sempre considero a utilizacao do Debian, mas o maior problema que tive em algumas experiencias foi o fraco reconhecimento de hardware, mouse serial que não é reconhecido, placa de audio antiga que não funciona e até hoje não tive nenhum sucesso, apesar de ter ficado surpreso com o desempenho do sistema em K6-500 com 128MB de RAM. Acredito que se o suporte a hardware fosse melhor, seria uma excelente alternativa. E caso fosse simples compilar o kernel para cada maquina, o desempenho seria muito superior - basta termos como exemplo o hradware da Apple que em poder de processamento sempre foi inferior ao dos PC antes dos processadores Intel, porém o desempenho do sistema era superior pois o MacOS era compilado para o hardware da empresa.

Enfim, estou voltando a usar o Windows 98, visto que nele consigo instalar qualquer software atual - é possivel usar o MSN 7.0, mas como muitos usuários estao migrando para o Skype, não vejo o Windows Live Messenger 8 sendo uma grande falta - e acompanhado do AbiWord, mais leve que o OpenOffice, e utilizando o navegador K-Meleon, menos devorador de memória como o Firefox, tem-se uma maquina para uso domestico que atende a necessidades básicas do usuário, sejam elas digitar documentos, navegar na internet e conversar com os amigos. Há, e para resolver os problemas de ter que reinstalar todo o sistema de 3 em 3 meses por causa das telas azuis, adotei a instalacao do Norton Ghost, criando uma pequena particao no disco rigido com uma imagem do sistema.

Acredito que a solucao deste problema, utilizacao de sistema operacional adequado para amquinas mais antigas e atualizado poderá ser resolvido em 1 ou 2 anos com o lancamento da versão final do ReactOS (www.reactos.org), sistema operacional livre que está sendo desenvolvido pela comunidade do zero para ser 100% compativel com a familia Windows NT/2K/XP. O sistema ainda está em versão alpha e há muitos bugs, mas tenho acompanhado o desenvolvimento do mesmo e sua evolução é perceptivel.

Abraço!

Fernando de Sá Moreira disse...

Hardware,
que versão do Debian você utilizou? Se você usava a versão sarge (3.1) ou anterior, provavelmente você teve problemas com o reconhecimento de hardware mesmo, mas a versão 4.0 está com suporte muito superior. Tenho aqui uma placa de som ISA, das antigas, que foi reconhecida sem maiores dificuldades pelo Debian com Alsa.

De fato o Win98 é problemático, exigindo manutenção em curtos períodos de tempo, é sempre uma solução paleativa.

Anônimo disse...

Com seu conhecimento já pensou o autor em criar uma distro específica para essa finalidade, seguindo a sua filososfia? Poderia partir de coisas prontas e apenas adaptar para o desejado. Poderia ser uma grande contribuição para inclusão digital e a redução de lixo tecnológico.

O maior problem é o que "hardware" disse, a grande diversidade de componentes que um pc pode conter.

Mouse, video e, rede ou modem, devem ser os prioritários, pois isso já poderia colocar o "usuário" com acesso gráfico a internet ficando, logicamente, um pouco de trabalho para ele atualizar e adaptar o sistema. Talvez até surgisse uma comunicade on line para essa "distribuição" onde expontaneamente os mais experientes vão ajudando os mais novos, num movimento expontâneo e autosustentado.

Gostei do artigo!

Fernando de Sá Moreira disse...

infelizmente para criar uma distro é preciso de conhecimento muito superior ao que eu possuo, além de muita dedicação, coisa que não posso disponibilizar agora. Quem sabe um dia.

Complementando meu comentário anterior: muitas vezes as distros chutam que o usuário possui uma mouse PS/2, deixando ele configurado por padrão no X. caso o mouse seja configurado corretamente, deve funcionar. Já vi muito essa falha de configuração, mas nunca vi uma distro não conseguir usar um mouse que funcione, seja ele PS/2 ou Serial.

Mais tarde eu vou postar informações de configuração de mouses seriais.

hardware disse...

Caros amigos, o Debian que tentei utilizar foi o 4.0 R0. O computador possuia uma placa-mae PC-Chips M598 e o mouse serial e a placa de audio (modelo desconhecido) não foram reconhecidos. Até tentei configurar o mouse, mas meu conhecimento de Linux não vai tão longe.

Samamba disse...

"É uma falha grave de grandes distros: não disponibilizarem opções de instalações leves, além das instalações padrão;"

Dica: No Kurumin você pode iniciar com o comando kurumin desktop=install que ele icinia o instalador sem carregar o KDE, pode completar com os comandos nocpus noalsa e nodri deixando ainda mais leve.

Estou instalando o Kurumin 7 aqui na empresa (K6-2 400 com 64 RAM) e está com desempenho muito bom.

Se não me engano, o Ubuntu tem a opção de baixar a versão alternate que usa um instalador modo texto.

cybertoddy disse...

Ola.

Primeiro, parabens pelo texto. É raro encontar opniões imparciais sobre o tema.

Tenho experiência principalmente com o Kurumin. Não quero aqui fazer propaganda de minha "distro favorita" e sim deixar informações relevantes para o tema do post.

A versão atual do Kurumin é, na prática, um Debian 4.0 (Etch), herdando portando suas qualidades e defeitos. Podendo inclusive ser atualizado (apt-get upgrade) diariamente, com os repositórios Debian.

Quanto ao desempenho do Live-CD, existem opções de boot para carregar o sistema com o Fluxbox, no lugar do KDE, e copiar os arquivos para o HD (melhorando o desempenho e liberando o CD-ROM) ou ler do HD (sem a necessidae de CD).

Quanto a instalação, existe também uma opção de boot que não carrega o sistema, de modo que se possa iniciar a instalação diretamente, até mesmo em modo texto. Ideal para micros com 32 MB de RAM, por exemplo.

Por falar nisso, a configuração do sistema para hardware antigo não se resume em mudar de KDE para Fluxbox. Neste artigo, o próprio Morimoto mostra a configuração do Kurumin para rodar em micros com 30 MB de RAM com KDE!

http://www.guiadohardware.net/tutoriais/106/

Eu já implentei isso em um K6-II 400 com 64 MB de RAM. O resultado foi bem agradável. Com a configuração mais radical, consegui deixar o KDE e usar menos de 23 MB de memória, após o boot. Isso foi com a versão 5. Não sei se com a atual seria melhor ou pior, mas se for para apostar eu apostaria que seria melhor.

Quanto a fazer uma distrib própria, o Kurumin possue scripts e suficiente documentação para remaster (refazer o live-cd) feitos pelo Morimoto, que sempre incentivou a prática. Eu nunca tentei, mas acho que com a sua experiência não seria dificil. Dê uma olhada:

http://www.guiadohardware.net/comunidade/v-t/719542/

É isso, espero ter contribuido.

Anônimo disse...

Uma alternativa interessante é o Puppy Linux http://www.puppylinux.com (inglês) ou http://www.puppybr.1zz.org/index.html (pt-BR). Definitivamente vale a pena dar uma olhada http://www.guiadohardware.net/artigos/puppy/

Se vc quiser algo mais agradável aos olhos tente o Grafpup http://www.grafpup.org/ (q é um fork do Puppy), esse eu uso e recomendo.

Anônimo disse...

Fernando, tb comecei no Win 3.1 mas cheguei no 98 e fiquei. A MS não fez nada melhor depois. Explico, p/ mim não é melhor ter de usar um sistema de 2 Gb em vez de um de 200 Mb só p/ aumentar as facilidades do mouse. Gosto de micros antigos pq acho absurdo o descarte rápido de máquinas de alta tecnologia, é muito trabalho humano jogado fora.
Os sistemas Linux mais novos tb estão caindo no mesmo erro, até p/ atender a demanda do público alvo. As distros mães/raiz podem rodar muito bem em micros antigos, mas se o usuário conhecer do assunto. Muitas vezes falta-lhes uma simples frasezinha escrita na tela de instalação, ou coisinhas muito simples.

Dizem q DeLi Linux é boa p/ micros antigos. Não instalei, mas desconfio q ela não tenha drivers de softmodem. Brasileiras, dizem q Dizinha e NeoDizinha resolvem.
Vector, talvez se for instalada. Em Live-CD é pesada.
Slax só de Athlon p/ cima. Ou instalada, mas aí é melhor a original logo.
Damn Small é muito falada, mas, c/o vc viu, não serve p/ uso diário. Aliás, c/ taxa de atualização do monitor a 61 Hz, não aguento usar por mais de 1 hora.

O mínimo requisito p/ uma distro num micro antigo é ter editor de textos, gerenciador de arquivos e browser leves e simples, e reconhecer softmodems. Sem isso, não serve.

Tem distros muito "esquisitas". Testei uma que dizia-se Live-CD leve, capaz de rodar em micros antigos, mas não dava acesso a dialup, só a banda larga :)) Quase chorei depois de ficar horas baixando a infeliz.

P/ computador velho: Slackware configurado, Puppy 2.14 ou 2.17; ou Win98 c/ 98lite e Opera (sem IE).
Zoby

Rafael disse...

Olá Fernando.

Primeiramente, eu gostaria de parabenizá-lo pelo artigo. Além de estar recheado de informação sobre diversas distros, esse assunto (uso de máquinas antigas) é algo não muito simples, principalmente porque não é muita gente que trata dessa questão.

Aqui em casa tenho um laptop Toshiba Satellite 320CDS (Pentium MMX com 96 de RAM e 4GB de HDD). Eu utilizava Win98 até que decidi me arriscar a colocar um linux. Depois de uma tentativa ou outra (ex: Kurumin), fiquei com Debian etch (4.0) stable.
Consigo usar Window Maker, Fluxbox, Blackbox, OpenBox e semelhantes sem problema. Porém eu prefiro a CLI, já que consigo aproveitar melhor a RAM.

Abraços

cybertoddy disse...

Resolvi testar o "Microsoft Windows Fundamentals for Legacy PCs", ou WinFLP, que vc comentou, pois nunca tinha ouvido falar.

Ele é de fato um XP destituido de tudo que for possível.

Ele não tem gerenciador de tarefas, msconfig, Oltlook, nem papéis de parede e sei lá mais o que... Ele foi planejado para atuar como estação de trabalho, então, acredito que todo tranqueira que só é necessária a um servidor não deve estar presente.


São opcionais o Internet Explorer, o windows mesager, o suporte a hardware extendido do XP e mais algumas coisas.

Para comparar, instalei um XP também. Como a minha máquina não é antiga o ganho de desempenho não foi muito grande. Mas, com o mesmo conjunto de softwares instalados (office 2003, mesager 7.5, etc..) o WinFLP ocupa 1 GB a menos que o XP (2,4 BG contra 3,4 GB).

Como é recente (última versão em julho de 2006) e permite não instalar caisas como o Oltlook, explorer e mensager, eu o considero brutalmente mais seguro que um xp. Mais ainda, por ser apenas uma adapatação do xp, mantém compatibilidade (ao menos nas coisas básicas) com softwares para xp. Oficialmente ele pode trabalhar com dotnet framework.

Mesmo que o ganho de desempenho não seja muito grande, ele já é (a meu ver) um xp muito melhor para quarquer fim.

A boa notícia é que possue versão em pt_br (ou BR, como prefere a M$). A má notícia é que ele não é vendido no varejo e nem é distribuido OEM. É oferecido apenas aclientes de volume da M$. Isso limita seu uso proficional, mas não impede que usemos "extra-oficialmente".

O link do post estava quebrado:

www.microsoft.com/portugal/licenciamento/programas/sa/beneficios/fundamentals.mspx

Esta é a iso que tem o MUIPAK (Multilinguage User Interface Pak) com tp_br

ed2k://|file|WINDOWS.FUNDAMENTALS.FOR.LEGACY.PCS.V2006.SP2.MUIPAK2-SUNiSO.iso|692615168|4E9A65933F89CEB342B0F9DED526F9A9|/

Fernando de Sá Moreira disse...

pronto, arrumei o link.

George Kihoma disse...

Faltou mencionar que o Kurumin possui um modo de instalação texto, feita exatamente para que o mesmo seja instalado em micros com poucos recursos e, se não me engando, tornando o Fluxbox a interface gráfica padrão. Pessoalmente prefiro o Icewm, que em alguns testes que realizei, conomse ainda menos memória que o Fluxbox. Como distros de teste eu usei o Debian Etch, o Kurumin e o Slackware 10.0, todos com Icewm e Fluxbox. Também testei diversas aplicações entre browsers, gerenciadores de arquivos gráficos e em modo texto e editores de texto simples (inclusive alternativas em Java). Talvez falte a todas as distros uma ferramenta mais simples par aque o usuário menos familiar possa ele mesmo configurar o sistema para ser instalado de acordo com a configuração da máquina.
ALém disso, existem distros otimizadas para máquinas de poucos recursos, como o Jinx. Mas aí, o nível do usuário precisa ser uma pouco maior, caso queira instalar mais coisas.